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segunda-feira, 23 de maio de 2011

JAGUARÃO - PASSADO E PRESENTE

Jaguarão começou a construir suas casas e quarteirões nas proximidades do rio Jaguarão, onde hoje estão construídos o Mercado Público Municipal (1864), a Igreja Matriz do Divino Espírito Santo (1853), a Casa da Cultura (1815) e outras.
Podemos considerar ruas da cidade velha, as mais estreitas, que não possuem avenidas. Diante disso, podemos dizer que a 27 de Janeiro, a começar pela beira-rio, até o cruzamento da Av. Odilo Gonçalves, faz parte da cidade velha e as demais que sejam paralelas à mesma, tanto para a direita como para a esquerda.
O centro urbano de Jaguarão é formado por um conjunto de ruas e quarteirões que somam 5km², segundo o historiador Sérgio da Costa Franco, esta área é foreira à Prefeitura de Jaguarão e foi doada pela Viscondessa de Magé, em 1813, para que fosse construída a sede municipal de Jaguarão.
Em 1855, quando a Vila de Jaguarão, foi elevada à categoria de cidade, a população era de mais ou menos 8 mil habitantes (somados estrangeiros, nacionais, negros e mulheres) dizemos isso, porque bem antes do império, no período de colônia, os levantamentos populacionais não contavam negros, mulheres nem índios. Nessa época a Avenida 27 de Janeiro chamava-se Rua das Praças; a Avenida Odilo Gonçalves, ruas das Trincheiras. O Theatro Politeama Esperança, construído em 1897, deu lugar a muitas apresentações artísticas, como danças, touradas, peças teatrais, bandas.
Pelas águas caudalosas do rio Jaguarão e lagoa Mirim, chegavam na Praça do Desembarque, pequenos e médios navios, trazendo mercadorias, touros e toureiros, para fazerem belíssimas apresentações na arena do teatro, onde os muitos populares acotovelavam-se nos camarotes para assistir as touradas com artistas vindos da Europa, principalmente da Espanha.
O Maestro André Raffo, músico de renome desta cidade, fez belíssimas apresentações artísticas musicais, no interior do Teatro. André Raffo era regente da Banda 57 Batalhões de Caçadores, que tinha residência militar no atual prédio do INPS, cuja banda, servia para eventos cívicos, recreativos e religiosos.
A Prefeitura de Jaguarão é prédio muito antigo, anterior a 1836, perdeu-se no tempo o seu ano de construção, pois antes de ser Prefeitura era Intendência, no período do Império e República Velha. Passou a prédio da Prefeitura, a partir de 1930, quando Getúlio Vargas, tomou o poder da república, através da luta armada. Neste mesmo prédio que funcionam hoje, várias secretarias e inclusive o gabinete do prefeito, foi proclamada a adesão ao Gen. Bento Gonçalves da Silva, por ocasião da Proclamação da República de Piratini em 1836. Nesta oportunidade, era presidente da Câmara Municipal de Jaguarão, o maragato Manoel Gonçalves da Silva. Enquanto Getúlio Vargas era ditador do Brasil, os prefeitos eram nomeados, constituindo as juntas governativas, até que em 1950, foi eleito pelo voto popular o General Oscar Furtado de Azambuja, seguindo-se Graciliano Jerônimo de Souza, José Maria Pinto Machado, Odilo Marques Gonçalves, Rubens Gonçalves Marques; de 1964 a 1985 a ditadura militar nomeou os prefeitos e só a partir de 1985 foram eleitos pelo voto popular os senhores: Dr. Fernando Corrêa Ribas, João Alberto Dutra da Silveira, Fernando Barreiros, Dr. Victor Hugo Rosa e, atualmente, Dr. Henrique Edmar Knorr Filho.
O sobrado do Barão Tavares Leite, lembra um tempo da Jaguarão de muito recurso financeiro, dinheiro vindo com alguns portugueses e do lucro do charque. O sobrado do Barão, ainda existe em seu estilo original e sua construção é de meados do século XIX, localizado na Rua XV de Novembro, esquina com a General Marques.
A rua XV de Novembro, era a chamada Rua do Comércio, a mesma possui o mais antigo e precioso acervo arquitetônico com algumas casas do século XIX em estilo português neo-clássico. Como destaque, a residência do Dr. Carlos Barbosa Gonçalves, que foi governador do estado gaúcho, de 1909 a 1913, nesta mesma rua temos a Faculdade, extensão da UCPEL, onde também funcionou a Escola Normal Imaculada Conceição, a chamada “Escola das Freiras”. O edifício Tiaraju é parte integrante do patrimônio da Fundação Carlos Barbosa, nesta mesma rua do Comércio vemos o Museu Carlos Barbosa, uma verdadeira preciosidade histórica deixada para Jaguarão. Pela XV de Novembro, podemos encontrar os fundos da tradicional casa de eletrodomésticos “Casa Rádio Luz”.
A Rua Coronel de Deus Dias, chamava-se Rua da Figueira (1845 – 1889), por existirem muitas figueiras desalinhadas e gigantes pela via pública.
A Rua Júlio de Castilhos é uma via de acesso comercial, tinha o nome de Rua do Triunfo, pois com facilidade chegava-se à Praça do Desembarque para receber e despachar mercadorias nas pequenas embarcações do rio Jaguarão, ao longo da rua existiam muitas casas comerciais, principalmente a de Claudino Almeida Neves, que deu origem ao Supermercado Paraíso, hoje de Cláudio Ernani Neves, o Nandi.
A Padaria Vitória, era de propriedade de Edmundo Gomes Cordeiro, a mesma produzia o melhor pão da região, dirigida, na época, pelo proprietário, o popular “Nono”. A construção data de 1930.
A Praça Dario Almeida Neves, ao lado da Ponte Mauá, foi construída na administração municipal de Aldo Francisco Rosa, quando prefeito, em (1983). Nesta praça, está uma grande concentração de pequenos comerciantes, que vendem roupas, alimentos, calçados, brinquedos, bijuterias, eletrodomésticos.
Margeia o rio Jaguarão, pela parte esquerda, a Rua 20 de Setembro, conhecida popularmente por “Beira-Rio”, que já se chamou de Rua da Praia e Rua do Peixe, hoje, quase a totalidade da Beira-Rio, encontra-se calçada e beneficiada com iluminação e área verde. O rio está preservado, a pesca é uma constante, como também a retirada de areia por areeiros artesanais.
Podemos observar nesta 20 de setembro, o Supermercado “Restelli & Chesini” e a antiga usina termelétrica instalada em 1901, cujos motores vieram da França em pequenas embarcações. Da Beira-Rio, dá para observarmos o Mercado Público Municipal.
Subindo a Praça do Desembarque, antiga Praça do Mercado ou Paissandu, iremos localizar a Biblioteca Pública Municipal, cujo projeto de construção teve início, no governo de Oscar Furtado de Azambuja e a execução da obra ocorreu no governo do Dr. Rubens Gonçalves Marques, tendo sido inaugurada em 10 de janeiro de 1969. Continuando, podemos observar pela Avenida 27de Janeiro, o Largo das Bandeiras, o Clube Jaguarense construído de 1890 a 1897 e, ainda, a Matriz do Divino Espírito Santo, em seu estilo barroco português contemporâneo.
Mais para frente, iremos encontrar a Praça Dr. Alcides Marques que já possuiu o nome de Praça da Independência, Treze de Maio e Matriz. Esta praça central, tão conhecida pelos jaguarenses era cercada de grades de ferros e aberta à visitação pública aos domingos e feriados cívicos. As grades começaram a ser retiradas a partir de 1940.
Um fato curioso é que onde está construído o Hotel Sinuelo existia um elegante hotel denominado “Grande Hotel Suzini” e, onde está hoje o Banco do Brasil, havia a imponente “Pensão Suzini”. Neste prédio de estrutura neo-clássica, morou a família do Cel. Mário Bretanha, abastado fazendeiro desta região.
Seguindo-se em torno da praça, podemos ver o prédio monumental de Claudionor Bastos Dode, mais adiante a residência de Antônio Carlos Marques, prédio construído com recursos oriundos do charque, por Zeferino Lopes de Moura, que ultimou as obras em 1889 e serviu por um longo período como Posto de Saúde de Jaguarão.
O prédio onde funciona atualmente a Casa de Cultura Pompílio Neves de Freitas, construído em 1815, teve como primeiros proprietários uruguaios de Maldonado. Em 1901, com a chegada dos padres belgas, o prédio foi comprado para funcionar o Curso Elementar do Ginásio Espírito Santo de Jaguarão, ao mesmo tempo em que, na Rua da Direita, atual Rua Joaquim Caetano da Silva, era construído o prédio do Ginásio Espírito Santo, que funcionou até 1914, quando esta ordem, dos premonstratenses da Bélgica, foi para São Paulo (Jaú). De 1914 a 1942, Jaguarão ficou sem ginásio, sendo necessário, para as famílias da época, enviar seus filhos a outras cidades, a fim de freqüentar o curso ginasial, o que era privilégio de alguns, ficando, os demais jovens da população sem poder completar seus estudos.
Mais adiante está o prédio da Maçonaria, construído em 1854, no período do Império. A rua General Osório chamava-se Palma ou Palmito até a década de 1950, porque ali existiam muitas palmeiras ao longo das calçadas.
Convém dizer, que o charque deu a Jaguarão um grande desenvolvimento, pois com o seu dinheiro, do couro e da graxa, foram construídas casas luxuosas de boas acomodações, onde artesãos vinham trabalhar em suas construções, que ultrapassam as 800 casas, as quais hoje estão tombadas como acervo histórico de Jaguarão. Foi nesse período que o Barão de Rio Branco mandou construir com recursos do Império, a Enfermaria Militar (1880 a 1883), hoje em ruínas, mais destruída pelas mãos do homem, do que pela própria natureza.
Pelos fundos da Igreja Matriz tínhamos a antiga Rua da Boa Vista, hoje, General Marques e pela frente, a Rua Carlos Barbosa Gonçalves, antes chamada rua da Atafona, pois ali funcionavam casas noturnas que serviam vinhos produzidos, primeiramente, na Europa e depois produzidos na localidade de São Luiz, em Jaguarão.
Ainda pela Rua Carlos Barbosa, mais adiante, vamos encontrar a Praça Dr. Hermes Pintos Affonso, que antes chamava-se Largo Tiradentes, hoje, em seu redor estão o Hospital Carlos Barbosa, a vila Militar e a Escola Padre Pagliani, antigo Patronato São José, fundada em 1924, por um casal de espanhóis, que doou o prédio à Mitra Diocesana de Pelotas para servir de escola. Logo a seguir, encontramos 12º Reg. de Cavalaria Mecanizada, Quartel do Exército, ali sediado desde 1940.
Fontes: Apontamentos de Almiro de Lima Piúma; Jaguarão, ontem e hoje, de Noely S. Cechim;
Textos de Sérgio da Costa Franco e Aldyr G. Schlle.
Compilação: Manoel Glaci Corrêa

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